A 13ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva será realizada no próximo dia 7 de março, em Cachoeira do Sul. O evento será sediado na propriedade da Puro Azeite, onde o pomar possui 200 hectares plantados com mais de dez variedades de olivas. Na manhã desta terça-feira (25/2), na sede da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o secretário Clair Kuhn, o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, e o coordenador do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura da Seapi, Paulo Lipp, conversaram com a imprensa sobre a abertura e as perspectivas para a safra.
Sobre a safra deste ano, o presidente do Ibraoliva, Fernandes, citou que poderá ser impactada pelo excesso de chuvas em maio e setembro. Entre os dois meses, o solo encharcado prejudicou as oliveiras. Contudo, há perspectivas de que supere o ano anterior. O número total será divulgado apenas em abril.
Um dos pontos abordados para o crescimento do setor é a necessidade de pesquisa na área da olivicultura. O secretário da Agricultura ressaltou que o Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria está à disposição para os produtores. “O governo do Estado é defensor de pesquisas e ações científicas que devem balizar ações políticas e administrativas”, afirmou Kuhn.
Ele também destacou a importância da produção no Rio Grande do Sul. “A oliva traz uma diversificação para a propriedade, traz uma nova rentabilidade, mas ela ainda necessita muita da pesquisa. Já evoluímos muito, e hoje temos o melhor azeite de oliva em termos de qualidade. As intempéries climáticas, assim como em outras culturas, podem trazer oscilações na produção”, ressaltou o secretário.
O presidente do Ibraoliva detalhou que serão intensificados os contatos com o meio acadêmico e a Embrapa Clima Temperado, para que pesquisas já em andamento ou que novos trabalhos sejam realizados. Um dos temas propostos seria ampliar os conhecimentos sobre polinização forçada dos pomares. “Depois de quebras de safra e redução de volume, os produtores se questionaram sobre produção de forma constante e variedade que apontam nesta direção, como a koroneike, advinda da Grécia. Outras, por nossa experiência, comprovaram não atingir a produtividade esperada”, explicou.
O gestor ainda citou que, em contato com o governo do Estado, foi identificada uma área em Hulha Negra, que poderia ser utilizada para pomares na metade Sul. A área se tornaria uma referência para o setor e, inclusive, uma espécie de escola e sediaria pesquisas em prol da olivicultura.
Fernandes ainda comentou sobre mudança de mercado e de entendimento por parte do consumidor quanto aos benefícios do azeite de oliva extra virgem e que, quando prova o azeite gaúcho, percebe que não é o mesmo que havia provado anteriormente. “O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu duas marcas importadas de serem comercializadas no mercado. Agora eles divulgam estas marcas e os supermercados são um agente responsável pela comercialização. Hoje, 82,6% vendidos no mercado, são adulterados, com traços de defeitos, sendo azeites virgens ou lampante, sendo envasados como extra virgem”, relatou.
Olivicultura no RS
O RS é o maior produtor nacional de oliveiras e azeites e apresenta as melhores condições de clima e solos do país para o cultivo de oliveiras no país. A estimativa atual é cerca de 6.500 hectares plantados por 340 produtores em 112 municípios.
As maiores áreas estão na Metade Sul, destacando-se em Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé, Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento, São Sepé, São Gabriel, Sentinela do Sul e outros.
Em 2024, a produção de azeites foi de 190 mil litros. Atualmente são 25 fábricas e tem cerca de 100 marcas de azeite.
Sobre a propriedade
A Puro Azeite é de propriedade da família Farina, tradicional marca da indústria moveleira da Serra. Durante 20 anos, o patriarca, José Eugênio Farina, tentou produzir soja no Nordeste sem sucesso. Os netos, hoje, gerenciam o negócio de azeite de oliva na propriedade. O Puro Azeite, é um dos mais premiados do país e os investimentos da família Farina girou em torno de mais de R$ 20 milhões. Na propriedade, são produzidos azeites das variedades arbequina, arbosana, coratina, frantoio, galega, koroneiki, manzanilla e picual.
Além do ato da colheita, o Ibraoliva prepara uma homenagem à força feminina que atua na olivicultura não só em propriedades, mas em outros setores da sociedade.
Confira a programação da abertura
Dia 7 de março:
9h – Início do credenciamento
9h30 – Conversa sobre a temática com Puro e Ibraoliva
10h – Workshop Sict: “Resultados e perspectivas das pesquisas conduzidas com os azeites Selo Produtos Premium”
10h30 – Homenagem especial às Olivicultoras
11h – Solenidade oficial de abertura
12h – Extração comemorativa
12h30 – Almoço e confraternização
Texto: Ascom Ibraoliva e Seapi