Todo mundo que faz parte da nossa audiência já tá tem perfeita sabedência de que, depois do feriado emendado do carnaval, o Brasil ainda precisa de uns dias pra deixar baixar a poeira da folia, e quando o mercado volta enfim a funcionar, o serviço tá sempre atrasado, né. Foi justamente por conta disso que a gente ainda não tinha comentado com os companheiros e companheiras produtores brasileiros o resultado do primeiro leilão de março na GDT, a Global Dairy Trade, uma grande plataforma virtual de negociação que influencia o setor leiteiro no mundo inteiro. Pois então, o caso foi que, neste evento realizado na primeira terça-feira do mês presente, o preço médio dos produtos apresentados pra venda ficou em 4.209 toneladas, com uma queda de 0,5% em relação ao pregão anterior, que tinha sido acontecido duas semanas antes.
Repare agora a amiga pecuarista que o valor da mercadoria caiu apesar de uma nova redução no volume de laticínios negociados nesta reunião internética de agora, que foi de 20.977 toneladas, com um substancioso esmagrecimento de 7,4% neste curto espaço de tempo entre um leilão e outro. Destrinchando agora o relatório distribuído na praça, os produtos da lista tiveram comportamentos variados, sendo que a maior alta do dia foi da muçarela, que subiu 7,9%, pra US$4.477 por tonelada. Já a única queda registrada agora foi justamente do leite em pó integral, que foi derrubado pra US$4.061, levando assim um tombo de 2,2%, fazendo sempre a mesma comparação, né.
Mas como este é o derivado comercializado em maiores quantidades na GDT, o resultado foi que a sua desvalorização levou junto a média geral do leilão. De acordo com a explicação dos especialistas da Cooperativa Fonterra, da Nova Zelândia, que organiza estes pregões virtuais, os principais países importadores andaram reforçando os seus estoques, e a demanda já tá mais amansada no comércio internacional. Já a respeito do efeito que isso deve ter aqui no nosso próprio terreiro, o pessoal do Portal Milkpoint é da opinião que, com as recentes altas já acontecidas pelo mundo afora, agora tem mais gente vindo comprar leite e derivados aqui na Argentina e no Uruguai, o que significa que vai ficar um pouco mais complicado pra indústria laticinista e pros distribuidores atacadistas brasileiros continuarem inundando o mercado nacional com produtos estrangeiros.