Todo mundo que faz parte aqui da nossa audiência tem bem sabedência de que quem manda no boi é a vaca, e é nesta hora em que a gente tá agora no calendário, com o verão chegando nos seus dias derradeiros, que esta relação de dependência fica mais evidente, por conta da chegada, em maiores quantidades, de fêmeas descartadas da reprodução no mercado pecuário. Além disso, considerando que este 2025 que tá em andamento deve ser o ano da virada de ciclo da nossa atividade, é mais importante ainda fazer um rigoroso acompanhamento do movimento no pátio dos frigoríficos nas principais regiões de comercialização de animais do país, né. Pois a questão é que o peso desta oferta tá atrasando a recuperação da cotação da arroba e não tá deixando a nossa praça boiadeira fazer o devorteio e sair do rumo de descida na ribanceira.
Enquanto a gente espera o balanço nacional a respeito do que tá acontecendo neste eito, que é feito a cada três meses pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um bom ponto de referência é Mato Grosso, que é o dono do maior rebanho bovino do Brasil. Repare então o companheiro boiadeiro que, de acordo como Imea, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, em fevereiro foram abatidos no estado 557.690 animais, com uma redução de 9,2% na comparação com janeiro deste ano mesmo. Apesar disso, este foi o segundo maior volume já registrado na história da indústria regional, justamente por causa da forte participação das fêmeas, que somaram 311.840 cabeças, ou 55,9% por cento do total.
já em relação aos machos, no mesmo período considerado foram pro gancho 245.850,ou 13,5% a menos do que tinha sido registrado no mês retrasado. Passando o traço e arrematando a prosa, a primeira questão que deve ser levada em consideração é que a seca do ano passado acabou atrasando a estação de monta e, por conseqüência, o descarte das matrizes que não pegaram cria, e esta é a explicação pra grande fartura atual deste tipo de mercadoria na praça. Mas a outra conclusão a ser tirada da situação geral do mercado é que a diminuição no tamanho do rebanho entregue na indústria em fevereiro é sim um primeiro sinal de mudança na direção do vento e do começo do ciclo de alta, que mais dias ou menos dias, uma hora vai chegar, e isso agora já não deve demorar. Tomara mesmo, né.