A China realizou nesta semana uma audiência com cerca de 180 representantes do mundo inteiro, inclusive do Brasil, para tratar da investigação de tarifas sobre a carne bovina que eles têm feito por lá. Segundo a Agência Reuters, o gigande asiático prometeu tomar uma decisão justa e objetiva, e isso pode impactar em aumentos de tarifas ou redução das importações caso os produtores nacionais sejam considerados ameaçados pelo mercado internacional. Os chineses reforçam que a investigação vale para todos os países exportadores, mas a verdade é que os estados unidos podem ser um dos grandes prejudicados nessa situação, porque os amigos fazendeiros devem se lembrar que recentemente a china aumentou em 10% a tributação sobre a carne bovina norte-americana como forma de revidar os aumentos de impostos em cima dos produtos chineses no território estadunidense feitos pelo presidente eleito recentemente. Ou seja, já houve um acréscimo tarifário e isso pode subir ainda mais.
Acontece que, por outro lado, o Brasil pode se beneficiar nesta questão. Isso porque os Estados Unidos têm diminuído a sua participação nas exportações mundiais, afinal a produção deles está prejudicada devido ao rebanho estar mais curto e consequentemente os preços maiores. Situação oposta aos números da pecuária brasileira, que registrou nos últimos anos crescimentos de produtividade e também dos embarques. Segundo a Scot Consultoria, a grande diferença é que os frigoríficos brasileiros mandam para a china um grande volume de carne para ser comercializada em restaurantes e lanchonetes, por exemplo. O que é conhecido no mercado como food service. Enquanto o gigante ocidental costuma exportar as famosas carne premium, de muita qualidade e alto valor agregado.
Todo mundo sabe que a China é a principal compradora de carne bovina brasileira e é claro que a gente precisa ficar atento a essas movimentações do mercado. Se o Estados Unidos deixar de vender ou diminuir muito a sua produção, os chineses vão precisar buscar em outros mercados e o Brasil tem chances de assumir uma boa parte disso, mas precisa aumentar a produção de carne premium e entrar de cabeça nesse segmento mercado. Só que, por enquanto, quem tem levado vantagem é a Austrália, que vem batendo recordes nos embarques. Além disso, eles levam vantagem geográfica, né? O Brasil precisa estar cada vez mais preparado para as exigências da China e do mercado asiático no geral, pois dessa maneira a pecuária brasileira segue aquecida e buscando cada vez novos mercados. No que diz respeito a China, ainda assim, além de melhorar a qualidade da carne, é preciso também aguardar o resultado dessas investigações para saber os próximos caminhos. Enquanto isso a gente segue acompanhando.