Diante dos impactos causados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apresentou nesta segunda-feira (7) ao Ministério da Agricultura um plano de ação para ampliar as exportações do Brasil aos países árabes, com foco nos produtos diretamente afetados pelo tarifaço — como carne bovina e café.
A reunião foi realizada com o secretário-adjunto Marcel Moreira, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa), e faz parte de uma agenda estratégica que segue nesta terça-feira (8), no Itamaraty, com o embaixador Alex Giacomelli, do Ministério das Relações Exteriores.
Com base em um estudo técnico e aprofundado, o documento propõe uma série de medidas diplomáticas, comerciais e promocionais para reposicionar o Brasil na região. Entre as ações sugeridas estão a realização de uma missão oficial com a presença do presidente Lula, rodadas de negócios, presença em feiras internacionais — como a Dubai Coffee Show — e a aceleração de acordos de livre comércio. Atualmente, o Brasil possui acordo apenas com o Egito, mas negocia com Emirados Árabes Unidos, Conselho de Cooperação do Golfo, Marrocos, Palestina e Líbano.
Exportações em alta e superávit recorde
De 2020 a 2024, as exportações brasileiras para os países árabes mais que dobraram — passando de US$ 11,4 bilhões para US$ 23,6 bilhões. No mesmo período, o superávit comercial cresceu 122%, chegando a US$ 13,4 bilhões em 2024. Os principais produtos da pauta de exportação são açúcar, carnes (bovina e frango) e grãos.
As importações da região, concentradas em petróleo e fertilizantes, apresentaram maior volatilidade: atingiram um pico de US$ 15 bilhões em 2022, mas recuaram para US$ 10,1 bilhões em 2024.
Mais oportunidades e foco estratégico
O estudo identifica oportunidades em segmentos como ferro e aço semiacabados e petróleo refinado, além de reforçar o potencial de crescimento em setores já consolidados. No caso do café, as exportações para os Emirados Árabes cresceram 16% nos últimos cinco anos, mas o Brasil ainda carece de presença institucional em feiras especializadas na região.
Já na carne bovina, a exigência do abate halal é considerada viável — o país tem capacidade para atender ao padrão, desde que haja agilidade no processo de certificação e habilitação de plantas junto aos países de destino.
Medidas estruturantes sugeridas pela Câmara Árabe
- Facilitação de vistos de negócios para empresários
- Fortalecimento da diplomacia comercial e agrícola
- Promoção da marca Brasil no mundo árabe
- Conclusão dos acordos de livre comércio para garantir previsibilidade tarifária
A proposta apresentada pela Câmara visa transformar os países árabes em mercados estratégicos, reduzindo a dependência de mercados instáveis e oferecendo novos caminhos para a expansão sustentável das exportações brasileiras.
