Por conta de tantas coisas de grande importância e igual relevância que têm acontecido nestes dias derradeiros a gente ainda não tinha tido tempo de comentar aqui com os companheiros e companheiras boiadeiros a notícia de que a China estendeu até o final de novembro a investigação que eles tão fazendo sobre a carne bovina importada, de todas as procedências, que deveria ter terminado na semana passada. Conforme já é da sabedência geral, o que aconteceu foi que o grande volume de produto estrangeiro lá no gigante oriental tá deixando muito incomodados os próprios pecuaristas chineses, que tão querendo ter certeza de que a concorrência internacional, incluindo o Brasil, não tá usando práticas comerciais ilegais, como subsídios e formação de preços artificiais, pra invadir o terreiro deles, tomando conta do mercado e inviabilizando a produção local.
Nem precisaria dizer, porque até lá na China tá todo mundo cansado de saber, que a cadeia produtiva da carne brasileira não pratica nenhuma dessas patifarias e que o nosso preço é muito bom porque a gente é altamente competente, né. Mas levando em consideração que no comércio mundial ninguém é amigo de ninguém, uma inquerência desse tipo sempre é motivo de preocupação, porque não dá pra ter certeza de qual é a sua verdadeira intenção. Aí, se depois de procurar pêlo em ovo a autoridade chinesa inventasse alguma limitação pras nossas exportações na mesma semana em que começou a valer o delírio tarifário decretado pelos Estados Unidos contra o nosso produto, aí o caso ficaria mesmo muito complicado. De qualquer maneira, o jeito é esperar pra ver o que vai acontecer, e torcer pra que a China não queira, ela também, armar mais uma trapeira pra pecuária brasileira.
A questão é que o nosso setor exportador ainda é sim altamente dependente das compras chinesas. Conforme a SECEX, que é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, de janeiro a julho deste ano presente o faturamento dos frigoríficos nacionais com as vendas ao país asiático somou US$ 876.5 milhões, com um crescimento de 63,7% relação ao período correspondente do ano passado. Com isso, a participação do nosso freguês chinês no total exportado chegou a 57%, disparadamente na frente do segundo colocado, que foi o méxico, com 5,7%, ou dez vezes menos, né. Já os Estados Unidos, que ainda apareceram no terceiro lugar da relação, ficaram com 4,6% do volume despachado daqui pra estrangeiro.
