A respeito das exportações de carne bovina do Brasil em agosto, a gente já falou aqui do resultado geral apresentado no balanço oficial da SECEX, que é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, né, mas o que aconteceu no mês passado é de importância extraordinária pro futuro da pecuária nacional, e por conta disto estes números que foram publicados ainda precisam ser mais destrinchados e muito bem analisados. Pois então, a primeira questão a ser levada em consideração é que, em vez de diminuir por causa da agressão tarifária dos Estados Unidos, os embarques daqui lá pro estrangeiro continuaram aumentando com sustância e substância, e a conclusão é que não tá faltando freguês interessado na carne que a gente mandaria lá pro gigante nortista e agora não vai mandar mais, por conta da inaceitável e injustificável taxação.
Na reorganização da lista dos compradores da nossa mercadoria, o caso de maior importância foi o aumento do fornecimento pra China. Repare a amiga pecuarista que, do faturamento total dos exportadores brasileiros em agosto, o gigante oriental respondeu por nada menos que 59%, ficando ainda mais isolado no primeiro lugar da relação. A surpresa foi a posição dos Estados Unidos que, apesar da abusiva e extorsiva taxa de importação de 76,5%, ainda ficou em quinto lugar entre os clientes que compraram mais, com uma participação de 2,5% por cento, a mesma da Itália. Já o México aumentou sua participação pra 5%, se firmando na segunda colocação, que aliás era ocupada justamente pelos seus vizinhos norte-americanos antes dos delírios taxatórios do presidente estadunidense.
Além disso, também merece especial atenção do companheiro boiadeiro o que aconteceu com o Chile, que passou pro terceiro lugar, com participação de 4,4%, a Rússia, que ficou em quarto, com 4%, e as Filipinas em quinto, com 3,2%. Falando agora do volume importado, enquanto as compras dos Estados Unidos diminuíram 46,2%, as dos México registraram um espantoso aumento de 300%, as da Rússia, de 109%, as do Chile, de 32%, e as das Filipinas, de 28%. E no meio de todo esse revorteio, o preço médio do produto brasileiro no mercado internacional ainda subiu pra US$ 5.6 mil por tonelada, com uma forte alta de 26,3% em relação ao período correspondente do ano passado.
