Não é novidade pra ninguém, muito menos pro boiadeiro que está em frente a televisão nos assistindo neste momento, que a carne bovina produzida aqui no nosso terreno ultrapassa fronteiras e chega nos mais diversos países, atendendo diferentes tipos de mercado. Tudo isso, é fruto da competência e do trabalho em conjunto dos pecuaristas, dos cientistas, do governo federal e muitos outros elos do que a gente chama de cadeia produtiva. O Brasil investe pesado em técnicas e estratégias para produzir cada vez mais, com qualidade, sustentabilidade, sanidade e atendendo critérios internacionais rigorosos. Mas é verdade também, que apesar de todo esse esforço ainda tem país que não compra a nossa carne, como é o caso do Japão, um mercado exigente, que o Brasil tenta alcançar há mais de duas décadas.
Mas acontece é que o Brasil está cada vez mais próximo da tão aguardada abertura de mercado da carne bovina para o Japão, principalmente após recebermos o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido em maio deste ano pela OMSA, a Organização Mundial de Saúde Animal, um reconhecimento que é um diferencial para o Japão saber se um país está apto ou não a enviar carne bovina pra eles. E nesta semana, o ministro da agricultura e pecuária, Carlos Fávaro, fez um anúncio que pode ser um passo importante para estreitar essa negociação: auditores fiscais japoneses vão inspecionar plantas frigoríficas brasileiras ainda em novembro, algo que já havia sido feito em junho. O ministro reforçou que o objetivo é anunciar a parceria com o Japão ainda este ano. Mas pelo o que eu apurei isso deve ficar pro próximo ano mesmo.
O Japão importa aproximadamente 750 mil toneladas de carne bovina anualmente e cerca de 65% de toda proteína vermelha que é consumida pelos japoneses vem de fora do país. Transformando isso em valores, o Japão gasta mais de 4 bilhões de dólares por ano com importação de carne, sendo que os principais fornecedores são a Austrália e os Estados Unidos. E como a gente bem sabe, o gigante do ocidente enfrenta um momento de baixa oferta interna, ou seja, eles estão com dificuldade de produzir para o próprio consumo, e pra enviar pro exterior fica mais difícil, né?! Já a Austrália vem evoluindo bastante nos últimos anos, principalmente enviando carne para o próprio Estados Unidos. Portanto, o Brasil é a alternativa para mandar carne de qualidade e em quantidade para outros mercados, como é o caso do Japão, e que devido a alta exigência, essa abertura pode ser a porta de entrada para outros países tão exigentes quanto. O que, inclusive, poderia ampliar ainda mais o protagonismo da carne brasileira no continente asiático, visto que a China é o nosso maior comprador. Vale ressaltar que, ainda assim, a quantidade total de carne que o Japão compra de fora, em volume, é menor do que a metade que já foi enviada pelo Brasil para os chineses até setembro. Bom, agora é aguardar os desdobramentos dessa auditoria e torcer para que o Brasil finalmente conquiste esse mercado tão importante para o nosso setor pecuário, né.
