Conforme os companheiros e companheiras boiadeiros já tão devidamente sabelizados, a China adiou de novo, agora pra daqui a dois meses, a divulgação do resultado daquela investigação que eles tão fazendo a respeito de práticas comerciais ilegais por parte dos seus parceiros fornecedores de carne bovina pro seu imenso e muito cobiçado mercado. A confirmação da notícia representou uma grande aliviação, ainda que temporária, pra cadeia produtiva da pecuária brasileira, por causa, logicamente, da extraordinária importância do nosso estimado freguês chinês pro setor exportador de carne bovina. Repare a amiga fazendeira que este 2025 que tá indo pra suas horas derradeiras já tá confirmado como o melhor ano da história, mesmo faltando um mês inteiro pra fechar a conta dos embarques daqui lá pro estrangeiro, né.
De acordo com a SECEX, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, de janeiro a outubro o Brasil exportou 2,790 milhões toneladas do produto, pra 160 países diferentes, com um faturamento de US$ 14,310 bilhões. Pois o caso foi que a China sozinha comprou quase a metade disso tudo, ou um 1,340 milhão de toneladas, pagando US$ 7,1 bilhões. Aí o amigo pecuarista nem precisa ser doutor especialista pra saber que, se a gente precisa muito deles, eles também precisam da gente mais ainda, especialmente neste momento atual do mercado internacional, em que os seus fornecedores tradicionais, principalmente os Estados Unidos, não têm produção suficiente pra atender nem a um pedacinho pequeno da demanda lá do gigante oriental.
O problema é que, independentemente disso, nestes anos mais recentes, o governo chinês incentivou muito o aumento do rebanho lá deles, e o resultado é que agora os produtores que investiram na atividade tão fazendo grande reclamação porque tão se sentindo prejudicados pela concorrência com o produto importado. Aí, é bem capaz de as autoridades locais acabarem tomando alguma providência pra limitar ou taxar a carne estrangeira, e isso poderia atingir de alguma maneira, com maior ou menor intensidade, as exportações brasileiras. A situação, então, é merecedora sim de preocupação, porque a China não tem o mínimo receio de chutar o balde e descer o porrete em quem estiver na sua frente, e não dá pra saber o que é que pode acontecer. E só o que a gente tem pra fazer, daqui até a divulgação da decisão deles, é esperar pra ver, e torcer, né.
