Conforme os companheiros e companheiras boiadeiros já foram devidamente informados pelos nossos noticiários aqui da televisão, pela milionésima vez aquele tal acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aquele mesmo que tá sendo negociado há 26 anos, quase foi assinado. A novela era pra ter terminado neste final de semana passado, na reunião dos chefes de estado do bloco sul-americano que foi realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, mas o caso é que tem um povo lá do outro lado do mar oceano que nunca se cansa de procurar pêlo em ovo e chifre em cabeça de cavalo pra atrapalhar e não deixar o tratado ser assinado. Além da França, que desde sempre foi o país mais radicalmente contra o acordo, agora a Itália também pegou a implicar e a querer exigir mundos e fundos, só pra apertar o nó em vez de ajudar a desatar.
O que aconteceu foi que os dirigentes dos 27 países que fazem parte do bloco europeu fizeram uma grande reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica, que era pra dar o arremate e deixar o texto pronto pra assinatura, mas em vez disso o pau quebrou de novo, com milhares de agricultores, montados em seus modernos e potentes tratores, comprados com dinheiro subsidiado, fazendo manifestação contra, que só não descambou pra violência porque a polícia não deixou. No final, depois de uma discussão que terminou em altas horas da madrugada de sexta-feira passada, eles combinaram de adiar a assinatura pra daqui a um mês, pra fazer mais uma tentativa, neste curto espaço de tempo, de enfiar na cabeça dura dos fazendeiros franceses e italianos que eles não vão ser prejudicados pela concorrência com os produtos agropecuários sul-americanos.
Assim mesmo, depois de mais esta rodada de conversação interna, a presidente da Comissão Europeia, que é o órgão equivalente ao governo do bloco, disse em entrevista pros jornalistas presentes que já tem maioria suficiente de votos pra finalmente acabar com a enrolação e, até que enfim, assinar a papelada e fechar a parceria. De qualquer maneira, o adiamento representou uma grande frustração pros dois lados, mas especialmente pra diplomacia brasileira, que é quem tem se esforçado mais e tá na ponteira da negociação, né. E tanto lá quanto cá, hoje é geral o entendimento de que este acordo é fundamental pra enfrentar e rebater esta nova ordem mundial, onde cada vez mais, por conta da maléfica ação dos Estados Unidos e do seu presidente metido a valente, o individualismo e a lei do mais forte tão tomando o lugar que antes era do entendimento, do diálogo e da cooperação.
