Conforme já é da sabedência dos companheiros e companheiras boiadeiros que nos dão a honra de ter a sua audiência, desde o dia primeiro deste janeiro recém começado tá valendo a dolorida paulada dada pela China no setor exportador da carne bovina brasileira, que cria uma grave limitação pro andamento normal da nossa relação comercial com o gigante lá do oriente distante. Fazendo uma ligeira recordação, o país asiático determinou que, agora no 2026, a gente vai ter uma cota de 1.106 milhão de toneladas pra fornecer pagando o imposto já existente de12%. Mas o que passar desse volume vai receber uma tributação adicional muitíssimo pesada de mais 55%, o que quer dizer que, na conta final, a cobrança vai chegar ao absurdo de 67% do valor original da mercadoria.
Essa cota deve aumentar um pouquinho no ano que vem e mais uma coisiquinha de quase nada no 2028, mas ainda vai ficar muito longe das mais de 1,7 milhão de toneladas exportadas daqui pra lá no 2025 que acaba de ser arrematado. O fechamento parcial da porteira não foi só pra a carne brasileira, e medidas parecidas, com variados graus de intensidade, foram decretadas também contra os outros fornecedores do produto. Pois então, não é novidade pra ninguém que o governo chinês é useiro e vezeiro na prática de dar rasteiras nos seus parceiros comerciais, e a diferença desta vez é só que eles não ficaram inventando desculpas esfarrapadas e admitiram que a intenção é de proteger os fazendeiros locais, que nos últimos anos foram fortemente incentivados a aumentar o rebanho e o investimento na atividade.
O resultado foi que a China se tornou o terceiro maior produtor de carne bovina do mundo, mas tá pagando um preço muito alto pra chegar nesta posição. Repare a amiga fazendeira que o custo de produção de uma arroba lá tá acima de US$ 110, enquanto o importador paga pela nossa arroba US$ 58, e o resultado é que os pecuaristas chineses não conseguem enfrentar a concorrência, né. A questão, então, é esperar pra ver como é que as autoridades governamentais, que determinam com mão de ferro o que o povo pode ou não pode gostar, vão enfrentar o gosto da população e o dragão da inflação que, conforme todo mundo tá cansado de saber, não pode ser derrotado por decreto. De qualquer maneira, a gente só deve chegar na cota determinada da metade derradeira do ano pra frente, e daqui até lá decerto que, debaixo dessa pinguela, ainda tem muita água pra passar.
