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União Europeia dá sinal verde político ao acordo com o Mercosul e abre fase decisiva para o agro brasileiro

Aprovação provisória dos países da UE autoriza assinatura do tratado, enquanto protestos de agricultores expõem o choque entre abertura comercial e protecionismo; para o economista Francisco Vila, “as porteiras da economia já estão abertas”.

porPedro Costa
janeiro 9, 2026
in Noticias, POLÍTICA, TOPO
União Europeia dá sinal verde político ao acordo com o Mercosul e abre fase decisiva para o agro brasileiro

A União Europeia deu nesta sexta-feira (9) um dos passos mais importantes dos últimos 25 anos de negociações com o Mercosul. Os governos dos 27 países do bloco europeu aprovaram de forma provisória o Acordo de Associação com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, autorizando a Comissão Europeia a seguir para a assinatura formal do tratado, prevista para os próximos dias. A decisão não significa que o acordo já esteja em vigor, mas representa um sinal verde político decisivo para que ele avance para a fase de ratificação.

O movimento ocorre em meio a uma onda de protestos de agricultores na França, Bélgica e outros países europeus, que veem no acordo uma ameaça à renda do produtor local, especialmente nos setores de carnes, grãos, açúcar e etanol. A pressão política ilustra o conflito central do tratado: de um lado, a União Europeia busca ampliar mercados e reduzir dependência geopolítica; de outro, enfrenta resistência interna de setores que temem a concorrência do agronegócio sul-americano.

Para o Brasil, o acordo é considerado um dos mais estratégicos da história do comércio exterior. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o texto negociado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com acesso a um mercado de mais de 440 milhões de consumidores de alta renda. O acordo prevê a eliminação progressiva de tarifas para mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos, além de cotas específicas para itens sensíveis como carnes, açúcar e etanol, que favorecem o agronegócio brasileiro.

Apesar do potencial de ganhos, a CNA também alerta que o impacto real do tratado dependerá de como a União Europeia aplicará suas novas regras ambientais, como o regulamento antidesmatamento e as exigências do Green Deal, que podem funcionar como barreiras indiretas ao comércio.

É justamente nesse ponto que a análise do economista Francisco Vila ganha relevância. Em seu artigo “Como fica o seu negócio no Acordo Mercosul-UE?”, ele argumenta que o acordo precisa ser visto dentro de uma transformação estrutural da economia global. Segundo Vila, “as porteiras de todas as atividades produtivas estão cada vez mais abertas”, e isso não se restringe ao agronegócio, mas atinge toda a cadeia de negócios, da indústria aos serviços.

O economista destaca que a abertura de mercados traz tanto oportunidades quanto riscos. “A abertura oferece novas oportunidades e, ao mesmo tempo, aumenta o risco de sofrer pressão de concorrência”, afirma. Para ele, o Brasil entra nesse processo partindo de uma posição de desvantagem histórica. “O Brasil é conhecidamente um dos países mais fechados… a participação do comércio internacional na nossa economia oscila entre 10 e 12% do PIB”, escreve.

Vila também chama atenção para o fato de que o acordo não muda a economia de um dia para o outro. “O tratado precisa ser ratificado, o que levará cerca de dois anos, e depois começa o período de transição, que pode variar de dois a dez anos”, lembra. Esse intervalo, segundo ele, é a janela que empresas, produtores e cadeias produtivas terão para se adaptar a um ambiente mais competitivo.

No caso do agronegócio brasileiro, a abertura tende a ser mais favorável, uma vez que setores como alimentos, celulose, mineração e bioeconomia estão entre os mais competitivos do país. Para Vila, essas cadeias devem puxar o crescimento regional e irradiar efeitos para outros segmentos da economia.

Ao final, a mensagem é direta: o acordo Mercosul-UE não é apenas um tratado comercial, mas um teste de competitividade para o Brasil. “Quem se ajustar mais rapidamente aos novos tempos aproveitará”, conclui o economista.

Com o sinal verde dado hoje pela União Europeia, o tratado entra agora na fase mais sensível do processo: a assinatura e, depois, a ratificação política. O desfecho ainda depende de disputas internas na Europa, mas, para o Brasil e o agronegócio, o jogo já mudou de patamar.

Pedro Costa

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