Os companheiros e companheiras boiadeiros fornecedores de gado terminado pro setor exportador já tão ficando preocupados, e com muita razão, porque ultimamente tá cheio de gente no mercado internacional querendo fechar a porteira pra carne bovina brasileira. Fazendo uma recordação ligeira, primeiro foi aquele senhor provocador e perigoso que é presidente dos Estados Unidos, querendo cobrar aquela taxa adicional absurda de 50%, com a descarada intenção de impedir a entrada da nossa mercadoria lá no gigante nortista. Pois o valentão brigador só não prosseguiu com a sua agressão contra o Brasil porque, como a lei da oferta e da procura não pode ser revogada nem por assinatura nem por tiro de canhão, com a falta da nossa carne subiu a inflação, o consumidor reclamou e o sujeito lá teve de desfazer o que ele tinha feito.
Pois a amiga pecuarista nem teve muito tempo pra comemorar porque na virada do ano, e pra estragar a festa, lá veio a China, que vem a ser ninguém menos que o grande ponteiro na lista da nossa freguesia internacional, anunciando que, do dia primeiro em diante, estaria entrando em vigor, pro Brasil e pra todos os seus outros fornecedores, cotas limitantes pra exportação e altas taxas adicionais pros volumes comprados a mais. Logo em seguida foi a vez de o governo do México, que no ano passado chegou a ocupar o segundo lugar na relação dos nossos maiores compradores, confirmar oficialmente uma medida muito parecida, estabelecendo igualmente cotas e tarifas pesadas pro que passar das quantidades determinadas, que logicamente são muito menores do que eles vinham comprando ultimamente, né.
E tem ainda o caso do acordo que tá pra ser sacramentado entre o Mercosul e a União Europeia, onde tá escrito e bem declarado que, somados, os quatro países do lado de cá do mar oceano vão poder exportar pro lado de lá no máximo 99 mil toneladas de carne bovina, o que não dá nem pro cheiro, mas é assim mesmo que vai ficar. Pois então, juntando tudo, a conclusão é que os tubarões do comércio mundial, que nunca gostaram de regras pra proteção dos países mais fracos, tão destruindo os organismos internacionais de regulação, como a OMC, a Organização Mundial do Comércio, e hoje o que vale no mercado internacional é a lei do mais forte. E no meio desse tiroteio, não tem quase nada que o Brasil possa fazer pra se defender, a não ser torcer pra que a inflação e a carestia venham a castigar quem tá querendo prejudicar a nossa mercadoria.
