O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, após mais de 25 anos de negociações, deve produzir impactos distintos para as carnes brasileiras. Segundo análise do Cepea, o maior benefício imediato tende a ser para o frango, enquanto o efeito sobre a carne suína deve ser mais limitado.
Para o frango, o tratado prevê a criação de uma cota de 180 mil toneladas isentas de tarifa ao bloco europeu. De acordo com o Cepea, “esse volume representa 3,4% do total exportado pelo Brasil em 2025 e é 12 vezes superior à cota atual, de cerca de 15 mil toneladas por ano”.
Mesmo sob as regras vigentes, a União Europeia já foi o oitavo maior destino do frango brasileiro em 2025, com embarques de cerca de 230 mil toneladas. Na avaliação do Centro de Pesquisas, “a ampliação da cota pode favorecer o avanço das vendas ao bloco europeu e melhorar a competitividade do produto nacional”.
No mercado doméstico, o momento é de acomodação. O Cepea observa que “os preços da maioria dos cortes avícolas estão em queda, acompanhando o movimento tradicional de janeiro”.
Para a carne suína, o cenário é mais contido. O acordo estabelece uma cota de 25 mil toneladas por ano com tarifa reduzida de € 83 por tonelada para produtos in natura e industrializados. Acima desse limite, seguem as tarifas tradicionais do bloco, que, segundo o Cepea, “podem alcançar patamares elevados e inviabilizar embarques de produtos como presuntos e cortes defumados ou secos”.
Os pesquisadores destacam que “a cota prevista é pequena frente ao volume exportado pelo Brasil”, o que restringe o impacto direto do tratado. Para o Centro, “a UE não deve se tornar um grande destino imediato da carne suína brasileira, mas pode reforçar a estratégia de capilaridade das exportações”.
Assim, conclui o Cepea, o acordo “tende a ter papel mais relevante para o frango no curto prazo, enquanto, para a suinocultura, o ganho será gradual e mais ligado à diversificação do que a um salto expressivo de volumes”.
