Quem não chora não mama e quem não pede não ganha, e quando a gente já tem o não, não custa pedir o sim, até porque o máximo que pode acontecer é ficar tudo do jeito que tá, né. Pois foi pensando assim que o governo brasileiro encaminhou pro governo chinês um peditório oficial pra que o gigante oriental permitisse um afrouxamento em dois pontos das regras recentemente decretadas pra limitar a entrada de carne bovina no seu imenso mercado. O primeiro requerimento era pra que os países fornecedores que preenchessem suas cotas de exportação pudessem completar as dos outros que não conseguissem chegar no volume que pra eles tava reservado. E a segunda questão era pra que a China não contasse na nossa cota o produto que já tinha sido despachado, mas ainda não tinha chegado ao seu destino, quando as novas medidas foram anunciadas.
Pois então, o que tem pra ser contado é que o resultado foi uma grande decepção, porque nos dois casos a resposta foi não. De qualquer maneira, a autoridade brasileira já sabia que isso poderia acontecer, e o jeito vai ser continuar fazendo o que a gente tem feito muito bem nestes anos recentes, que é aumentar e diversificar a nossa freguesia. Mas se isso pode ajudar a resolver o nosso lado, pros importadores chineses o caso vai ficar muito complicado, tanto que eles tão numa baita correria pra comprar logo o máximo possível de mercadoria antes que os fornecedores brasileiros cheguem no limite determinado. Por conta disso, neste janeiro que acaba de ser arrematado o volume de carne exportado pra China chegou a 119,930 mil toneladas, conforme os dados divulgados pela Secex, que é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.
Pareando este número com o período correspondente do ano passado, o que aconteceu foi um forte aumento de 31,5%. Já o faturamento dos frigoríficos fornecedores chegou a US$ 650,1 milhões, com um espantoso crescimento de 44,8%, na mesma comparação. Este valor representou nada menos que 50,3% de todo dinheiro arrecadado no mercado internacional no mês de janeiro pelos exportadores brasileiros. Considerando então que, de acordo com o governo chinês a nossa cota determinada é de 1,1 milhão de toneladas, se o apetite dos compradores continuar assim destampado não vai demorar quase nada pra ela ser completada, e aí a gente vai ver o que é que eles vão fazer pra abastecer o seu mercado, né.
