O Canal Terraviva ouviu a Acrimat para entender os impactos e o posicionamento do setor produtivo diante da discussão sobre a criação de um sistema de controle das exportações brasileiras de carne bovina para a China. O debate ganhou repercussão após reportagem da Folha de S.Paulo, confirmada pelo Valor Econômico, que revelou a existência de um ofício do Ministério da Agricultura tratando da administração da cota de 1,1 milhão de toneladas prevista para 2026.
Segundo as publicações, o documento foi encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e alerta para o risco de “colapso de preços e de emprego” caso não haja um mecanismo de organização dos embarques destinados ao mercado chinês. O tema vem sendo discutido desde o início do ano entre governo e setor privado, mas ainda não há consenso para deliberação no Comitê Executivo de Gestão (Gecex).
Em entrevista ao Canal Terraviva, Francisco Manzi, diretor técnico da Acrimat, afirmou que o pensamento da entidade reflete o posicionamento da maioria dos produtores de bovinos do mundo e defendeu que qualquer tipo de barreira comercial seja baseada exclusivamente em critérios científicos.
“A Acrimat participa da Aliança Internacional da Carne, onde os sete maiores países produtores e exportadores de carne do mundo têm um consenso de que é preciso eliminar todas as barreiras sanitárias ou não sanitárias que não sejam amparadas na ciência. O nosso produto precisa estar disponível na mesa de qualquer consumidor do mundo inteiro, dada a qualidade que tem e a importância da carne bovina na nutrição.”
Manzi avaliou ainda que a discussão sobre a China pode estimular o Brasil a acelerar a abertura e consolidação de novos mercados.
“Essa barreira que a China quer impor estimula para que o Brasil, sobretudo o Ministério da Agricultura, busque novos mercados. Hoje o Brasil já exporta para mais de 100 países e é importante que essa cota seja remanejada.”
O diretor técnico da Acrimat destacou também o cenário global de restrição da oferta de carne bovina, especialmente em países historicamente relevantes.
“A produção de carne no mundo está bastante limitada. Os Estados Unidos estão hoje com um rebanho menor do que o da década de 70. O Brasil, que tem o dobro de vacas que os Estados Unidos, pode aumentar a sua produção e distribuir para outros países.”
Além do mercado externo, Manzi apontou o fortalecimento do consumo doméstico como uma alternativa estratégica.
“Um aumento de 3 quilos por habitante ao ano no Brasil já seria maior do que essa diferença que a China quer impor agora para o mercado brasileiro.”
O Canal Terraviva também entrou em contato com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, que informou que não irá se pronunciar sobre o tema neste momento
