Já faz uns dias que, na nossa praça boiadeira, tá circulando uma falação desencontrada que tá sendo motivo de preocupação pra muita gente que não recebeu a informação de fonte certeira e confirmada. A questão começou quando as autoridades federais divulgaram um comunicado oficial dizendo que tava sendo avaliada a necessidade de criar algum tipo de regulamentação pra organizar a exportação de carne pra China, por causa das cotas limitantes que o gigante oriental decretou contra os seus fornecedores. Fazendo então uma recordação ligeira, o governo chinês reservou pra gente, neste ano presente, uma cota de um 1,1 milhão de toneladas, isso com o imposto normal e já cobrado anteriorm ente, de 12%. O problema é que, sobre o que passar deste total, eles vão cobrar uma taxa adicional de nada menos que 55%.
Acontece que, no ano passado, o volume exportado daqui pra lá foi de 1.680 milhão de toneladas, o que quer dizer que o nosso não mais tão estimado freguês chinês tá castigando o Brasil com uma redução de pelo menos 580 mil toneladas, sendo que a gente teria plena condição de, em vez de diminuir, aumentar mais ainda a quantidade embarcada. Pra piorar ainda mais a situação, quando a restrição foi decretada, 300 mil toneladas já tinham saído do Brasil e tavam atravessando o mar oceano, mas a autoridade chinesa já avisou que não vai descontar essa mercadoria da cota. Aí, somando isso com as 123,1 mil toneladas já exportadas agora em janeiro, o resultado é que faltam só menos de 700 mil toneladas pr a completar a quantidade total determinada, pro ano inteiro, pra pagar o imposto menos pesado.
Mas repare agora o companheiro boiadeiro que esse volume restante vai ser dividido, ou disputado, pelos 77 frigoríficos brasileiros habilitados pra exportar pra China, e se nesta disputa não houver algum tipo de disciplina, a briga vai ser muito feia, e quem vai sair perdendo são as indústrias menores, primeiramente, e depois, mais pra frente, o fazendeiro e o consumidor brasileiros. Pra ficar só em um exemplo, hoje nada impede que algum grande exportador, que já seja dono de rios de dinheiro, resolva garantir um espaço maior neste terreiro derrubando artificialmente o preço da carne e do boi, pra ganhar a preferência do importador e matar logo a concorrência, né. Pois então, é justo querer e exigir das autoridades que a igualdade de oportunidades seja garantida e que o direito de todo mundo que lida neste mercado seja perfeitamente respeitado.
