As fortes chuvas que atingem a região de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, e já deixaram dezenas de pessoas mortas, também começam a provocar impactos significativos no agronegócio local. No campo, produtores enfrentam dificuldades para colher lavouras, perdas na qualidade da produção e prejuízos em diferentes cadeias produtivas.
A região é considerada uma importante bacia leiteira do estado e o excesso de chuva já preocupa produtores e entidades do setor.
Em entrevista por telefone ao canal Terraviva, o presidente do Sindicato Rural de Juiz de Fora, Osni Pessamillio, afirmou que a situação é preocupante tanto nas áreas urbanas quanto no meio rural, mas que os impactos no campo podem ser ainda mais duradouros. “O cenário nosso aqui é bem desconfortável, também bem desagradável, tanto no meio rural quanto urbano. Porém, no meio rural é diferente. O prejuízo é muito grande, tanto na produção quanto na qualidade”, afirmou.
Uma das atividades mais afetadas é justamente a produção de leite, que tem forte presença na economia regional. Segundo o dirigente, apenas o município de Juiz de Fora registra uma produção diária superior a 200 mil litros. “Só Juiz de Fora passa de 200 mil litros por dia. Ou mais. É muito leite mesmo”, disse.
Além das dificuldades provocadas pelas chuvas, produtores de leite também enfrentam problemas relacionados ao mercado. “O pessoal do leite está sendo prejudicado por duas vezes. Primeiro pelo preço do leite, que dá uma verdadeira vergonha a nível nacional”, afirmou.
Nas lavouras, o excesso de chuva também tem dificultado o trabalho no campo. Em algumas áreas, produtores sequer conseguem realizar a colheita. “Tem lavoura que não vai nem conseguir colher. É quase que perda total”, relatou.
A qualidade da produção agrícola também já apresenta impacto significativo.“A qualidade já é certa. Já é 60% a menos na qualidade”, afirmou.
O setor de hortaliças também foi afetado. De acordo com o sindicato rural, em algumas áreas o excesso de umidade tem impedido até mesmo o desenvolvimento das plantas. “Hortaliças também estão do mesmo jeito. É um prejuízo total. Não consegue nem nascer e nem crescer”, explicou.
Ainda não há uma estimativa consolidada das perdas totais no campo. Segundo o presidente do sindicato, a dimensão dos prejuízos dependerá do tempo necessário para que as condições climáticas permitam a retomada das atividades agrícolas. “Agora o volume da produção depende de quanto tempo vai demorar para melhorar. Se for cinco dias é um percentual, dez dias é outro, quinze dias é outro. Muitas vezes, se demorar muito, não consegue nem colher”, concluiu
