Pros companheiros e companheiras fazendeiros produtores de leite ainda tá longe o dia de soltar rojão e fazer comemoração, mas o que tem pra ser contado é que, depois de ter passado nove meses seguidos largado e despinguelado na descida da ribanceira, o preço finalmente reagiu e subiu. De acordo com o balanço divulgado pelo pessoal do CEPEA, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq de Piracicaba, aqui no estado de São Paulo, na média nacional o valor recebido em fevereiro, pelo produto entregue na usina em janeiro, foi de R$ 2,02 o litro. Comparando com o pagamento anterior, foi uma alta bem ligeira, de 0,9%, mas em relação a janeiro do ano passado o caso ainda foi de uma forte queda de 26,9%, isso em termos reais, ou seja, já descontando a inflação oficial acontecida de lá pra cá.
Este resultado confirmou o que já tava sendo esperado pelos especialistas do mercado e, conforme já é da sabedência geral, ele é conseqüência principalmente do desânimo e do esgotamento do pecuarista, que parou de investir na atividade, por causa da perda de capacidade financeira, né. Além disso, em algumas regiões o clima já tá começando a mudar, e somando uma coisa com a outra, daqui pra frente a oferta deve ralear. Tanto que, de dezembro do ano passado pra janeiro deste, o recebimento de leite pela indústria apresentou uma redução de 3,6%, por influência especialmente da situação em São Paulo e nos estados da região sul. Por outro lado, o custo de produção continuou apertando o pescoço do fazendeiro brasileiro, sendo que em janeiro a alta registrada foi 1,3%, isso na comparação mensal, né.
No caso do milho, por exemplo, em janeiro o produtor gastou 33 litros de leite pra comprar um saco de 60 Kg do grão, o que representou uma pequena queda de 3,7% em relação a dezembro, mas uma alta de nada menos que 15,2% pareando com a média dos últimos doze meses. Outra questão que tá empacando a evolução da situação é que a briga entre a indústria laticinista e o setor distribuidor tá muito encarniçada, porque a população continua reagindo contra o aumento dos preços do leite e dos derivados no balcão do supermercado, e nesse estica e puxa a corda sempre acaba arrebentando do lado mais fraco, que é o pecuarista, né. De qualquer maneira, e arrematando esta abrideira, a previsão dos técnicos do CEPEA é de que o preço pago ao fazendeiro vai continuar despiorando, mas numa toada ainda muito arrastada.
