Nem seria necessário dizer isso aqui, mas no nosso setor pecuário todo mundo tem total sabedência das consequências da punhalada traiçoeira dada pelo presidente dos Estados Unidos contra a economia brasileira em geral e contra o produtor rural de maneira especial, e é natural que isso seja mesmo motivo de grande preocupação pra quem ganha a vida na lida de gado, né. Assim mesmo, o caso presente exige do vivente prazo maior de prosa e pensamento, que é pra adquirir perfeita compreensão do rumo que o carretão deve tomar no eito daqui pra frente. Pois então, a este respeito o pessoal da Scot Consultoria tá chamando a atenção dos companheiros e companheiras boiadeiros pra algumas situações de grande relevância pra gente não minimizar, mas também não exagerar, na verdadeira importância desta taxação injustificável, agressiva e inaceitável.
A primeira questão é que as vendas daqui lá pro gigante nortista fazem sim uma baita diferença pro nosso setor exportador e vão fazer muita falta, mas representam hoje só dois por cento da produção total da pecuária nacional. Se o insidioso e perigoso dirigente estadunidense insistir neste delírio tarifário, pode até demorar algum tempo, mas levando em consideração a atual situação de carestia no mercado mundial, vai aparecer interessado em ficar com esta mercadoria. Já em relação ao valor da arroba, a explicação pra derriçada geral da cotação é que, com a incerteza geral sobre o que vai acontecer nos próximos dias, o frigorífico parou de comprar, e logicamente tá aproveitando pra derrubar o preço preventivamente. Acontece que, olhando bem pro nosso calendário pecuário, a temporada do confinamento já tá começada, e isso tem forte influência no abastecimento do mercado.
Conforme é o roteiro costumeiro do comércio boiadeiro, nestas alturas de julho os frigoríficos já compraram antecipadamente, no termo ou na bolsa, a maior parte do gado que tava previsto no seu planejamento inicial, e essa imensa boiada, que nem tá toda terminada ainda, já tá com contrato assinado e preço acertado. Aí, na negociação do tanto que falta pra completar a programação, o comprador tá descendo o facão, que é pra diminuir a perda do patrão na média do volume total que foi contratado. Além disso, tem ainda o ponto em que a gente tá no ciclo natural da nossa atividade, e como também não é novidade, com a valorização da reposição o que já tá acontecendo é a retenção de fêmeas nas fazendas, pra reprodução. O resultado é a redução na oferta de animais pra abate e, conforme mandam a leis do mercado, em mais dias ou menos dias, o preço vai subir, e não tem nada nem ninguém que possa impedir.
