O Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome das Nações Unidas. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28) no relatório sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI). A conquista marca a segunda vez que o país atinge esse patamar — a primeira foi em 2014.
De acordo com o relatório, a redução da desnutrição para menos de 2,5% da população foi impulsionada por políticas públicas que reforçam a produção da agricultura familiar, programas de transferência de renda e a ampliação da alimentação escolar.
Em 2021, o Brasil havia voltado ao Mapa da Fome, com taxa de 4,2% de pessoas desnutridas. Entre 2020 e 2022, 21,1 milhões de pessoas viviam em insegurança alimentar grave. Em 2024, esse número caiu para 7,1 milhões.
“O sucesso incrível do Brasil mostra que ninguém precisa passar fome – a fome é uma escolha”, afirmou Raj Patel, especialista do painel IPES-Food e professor da Universidade do Texas, Austin. “O que funciona é apoiar os agricultores familiares em vez do agronegócio, investir em merendas escolares, programas públicos e acesso à alimentação.”
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil durante a presidência do G20 em 2024, também é apontada como peça-chave para manter os avanços. O governo pretende dar destaque à iniciativa na COP30.
“Com o Brasil liderando a COP30, a mensagem é clara – enfrentar a fome, a desigualdade e as mudanças climáticas andam juntos”, disse Elisabetta Recine, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Apesar do resultado positivo, especialistas alertam que o cenário ainda exige atenção. O custo de uma dieta saudável segue em alta: caiu de um pico de 29,8% em 2021 para 23,7% em 2024, mas o preço dos alimentos continua subindo.
“A luta ainda não acabou. Os preços dos alimentos estão subindo e ameaças tarifárias estão surgindo, então precisamos manter o rumo, porque o custo da inação é medido em vidas”, destacou Recine.
“O verdadeiro desafio é garantir, todos os dias, o acesso de todos, inclusive daqueles invisibilizados pelas políticas públicas, ao direito à alimentação adequada”, afirmou Maria Siqueira, codiretora executiva do Pacto Contra a Fome.
