O Brasil pode ter que redirecionar parte da produção de café para outros mercados depois que os Estados Unidos decidiram manter uma tarifa de 50% sobre o produto nacional. O setor prevê impacto na cadeia produtiva e já busca alternativas logísticas para reduzir perdas.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) afirmam que ainda “não há indícios claros de queda nos preços internos exclusivamente em função da medida tarifária”, mas alertam que a taxa extra deve “impactar a competitividade do café brasileiro, os preços ao consumidor norte-americano e a formulação dos blends tradicionais, que utilizam os grãos do Brasil como base sensorial e de equilíbrio.”
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse em nota que “seguirá em tratativas com seus pares norte-americanos para incluir o café brasileiro na lista de exceções elaborada pelo governo dos EUA.”
Os Estados Unidos são o principal destino do café do Brasil. Em 2024, o país respondeu por cerca de 23% de todo o café comprado pelos americanos, segundo a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).
A Colômbia, principal concorrente no café arábica, ficou fora da nova tarifação. Já o Vietnã, que exporta principalmente café robusta, negocia uma taxa reduzida de 20% — abaixo dos 46% previstos inicialmente.
Com o aumento de custos, o Brasil deve buscar novos compradores para parte da produção. O setor teme reflexos na geração de emprego, na logística e no escoamento de grãos já destinados ao mercado norte-americano.
