Assim como trem não para logo na primeira brecada, nem navio faz curva fechada, o mercado mundial do leite e dos seus derivados, que também é um gigante, igualmente não muda de rumo assim de repente, né. Pois então, a GDT, que é a Global Dairy Trade, aquela plataforma internética de negociação gerenciada pela cooperativa neozelandesa Fonterra, fez na terça-feira da semana passada, dia 16, o seu segundo leilão neste mês de dezembro, o derradeiro do ano, e o resultado foi o que tava sendo esperado, com o engordamento da oferta e o esmagrecimento da cotação. O preço médio dos produtos apresentados pra venda ficou em US$3.341 por tonelada, com uma redução de 4,4% em relação ao pregão anterior, que tinha sido acontecido duas semanas antes.
Apesar da queda na média geral, fazendo o destrinchamento do relatório o que aconteceu foi que o comportamento dos derivados negociados foi bem dispareado. O maior tombo foi do leite em pó integral, o produto mais comercializado na GDT, que foi vendido por US$3.161 a tonelada, ou 5,7% a menos, fazendo a mesma comparação. Já quem andou na outra mão de direção desta mesma estrada foi a lactose, com uma alta de 14,4%, saindo a US$1.430. A parte principal da explicação pra esta variação foi a situação atual da oferta, que chegou a 33.970 toneladas, com uma redução de 0,9% comparando com o leilão passado, mas com um aumento de 5,8% pareando com o período correspondente do ano passado.
A questão é que a demanda não aumentou nada e aí, com a freguesia do mesmo tamanho que ela tava e tendo mais mercadoria na praça, o resultado não poderia ser diferente, né. E de acordo com as previsões dos especialistas da GDT, não vai ser já que a produção vai diminuir nos principais países produtores, o que quer dizer que também vai demorar pra cotação voltar a aumentar. Já a respeito do efeito que isso tudo pode ter aqui no nosso mercado caseiro, o pessoal do Portal Milk Point tá dizendo que este enfraquecimento dos preços também já chegou na Argentina e no Uruguai, que são os fornecedores de praticamente tudo o que o Brasil importa neste setor. Mas por outro lado, a nossa produção interna também continua alta, e esta fartura na oferta deve ajudar a segurar a invasão de derivados estrangeiros aqui no nosso próprio terreiro.
