Lidando e pelejando pra voltear a ligeireza do tempo e atender à precisão de fornecer aos companheiros e companheiras pecuaristas informação de qualidade, que é a natureza desta nossa função noticiarista e novidadeira, a gente ainda não tinha tido a oportunidade de comentar aqui o resultado do levantamento do Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ de Piracicaba, aqui em São Paulo, a respeito no movimento no setor leiteiro brasileiro no dezembro recém passado, né. Pois então, o que tem pra ser contado é que, na média dos estados que são ponteiros neste mercado, o preço pago ao fazendeiro, pelo produto entregue na usina em novembro, ficou em R$ 2,11 por litro. Na comparação com o pagamento anterior, este valor representou uma forte derriçada de 8,3%.
Já em relação ao período correspondente do ano retrasado, o tombo foi muito mais dolorido, chegando a nada menos que 23,3%, e confirmando a gravíssima situação que tá sendo enfrentada pelos companheiros e companheiras que continuam tentando ganhar a vida nesta lida de criar bezerra e ordenhar vaca leiteira. A explicação pra esta grande consumição é o crescimento da oferta, que começou lá no final do 2024, quando a rentabilidade tava muito satisfatória e o produtor acreditou que a hora era boa pra investir na atividade. Além disso, ao longo do 2025 o clima também foi favorável e a fartura de capim nas invernadas ajudou a aumentar a produção da vacada.
De outubro pra novembro, a entrega de matéria prima na indústria subiu 1,6%, enquanto a alta acumulada desde janeiro chegou a 15,9%. Ao mesmo tempo, nos onze meses contados nesta pesquisa, as importações somaram o equivalente a 2.5 bilhões de litros, ou 4,8% a menos do que no período correspondente do 2024, lembrando que no ano retrasado o volume de leite e derivados comprados no estrangeiro pela indústria laticinista e pelos distribuidores atacadistas brasileiros foi o maior da história. Ai, com o carretão andando nesta toada, a previsão é que, daqui pra frente, a produção nacional vai começar a esmagrecer, mas sem uma ajuda mais substanciosa do governo vai demorar pro setor leiteiro brasileiro sair do atoleiro onde ele tá agora.
