Aleluia, até que enfim, mas não precisava ter demorado tanto assim. Claro que os companheiros e companheiras boiadeiros que nos dão a honra de ter a sua audiência já foram informados e têm sabedência de que, neste sábado passado, dia 17, foi finalmente assinado o tão falado e esperado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que já tava quase virando uma lenda, e até parece mentira, de tanto tempo faz que esse negócio tava encalacrado, né. Desde a primeira reunião entre os dois lados foram nada menos que 26 anos de conversação, de vai-não-vai, de enrolação, de alternância de períodos de extrema má-vontade com outros de otimismo, ansiedade e cooperação. Tem muito pecuarista importante de hoje que, naquela época, ainda tava brincando de cavalinho de pau e fazendo boizinho de chuchu no quintal na fazenda do avô, sem ter nem ideia do que é esse negócio de acordo comercial, né.
Conforme a gente até já falou aqui, este é o maior tratado deste tipo já feito em toda a história da humanidade, e a partir da sua assinatura tá sendo formado um gigantesco mercado de mais ou menos 722 milhões de consumidores. Todos os setores da economia, nos dois lados do mar oceano, vão ser abrangidos, muita coisa vai melhorar, outras tantas vão ficar do mesmo jeito e outras ainda podem até piorar, mas a gente ainda vai precisar de alguns anos pra saber exatamente o que vai acontecer, né. Quer dizer, isso se o acordo for mesmo aprovado pelo parlamento europeu, onde ele deve ser votado, provavelmente em abril ou maio deste ano. Pois repare a companheira pecuarista que, de acordo com os especialistas na política lá deles, a maioria dos deputados é favorável, mas a oposição também é considerável e o resultado deve ser apertado.
De qualquer maneira, é verdade verdadeira mesmo que, mais até do que o mercosul, a europa agora tá com muita pressa de desatolar este carretão, porque o povo lá tá vendo que o mundo já mudou muito e vai mudar mais ainda, e eles tão ficando pra trás. A precisão de arrumar outros parceiros ficou urgente depois que o bloco levou uma baita rasteira do presidente dos Estados Unidos, que deixou bem demonstrado que negociação com ele é na boca do canhão. Ao mesmo tempo, a China, que começou comendo pelas beiradas, hoje já domina uma parte muito significativa do comércio mundial, na américa latina em geral e no Brasil de forma especial, tomando espaço e freguesia que a europa achou que jamais perderia. Aí, antes que seja tarde e que o barco afunde, melhor abraçar logo o mercosul, o que aliás vai ser um excelente negócio e uma ótima parceria.
