Bloco europeu quer mais garantias de que o nosso gado não é criado com uso de antimicrobianos

Foi com grande preocupação e justa indignação que os companheiros e companheiras boiadeiros, a indústria frigorífica nacional, as autoridades econômicas e até a população em geral receberam a comunicação, no começo da semana passada, de que a União Europeia vai fechar a porteira do seu mercado pra entrada da carne bovina e de outros produtos da agropecuária brasileira. Conforme o recado que foi mandado pelos dirigentes do bloco aos seus correspondentes aqui do nosso governo, o motivo deste desatino repentino contra o nosso setor exportador, que aliás tá previsto pra entrar em vigor no próximo mês de setembro, seria o fato de que o Brasil não teria dado garantias suficientes de que o nosso gado não tá sendo criado com o uso de medicamentos antimicrobianos com a finalidade de acelerar o crescimento e aumentar o rendimento dos animais.
Pois a primeira questão que levanta uma suspeição a respeito da verdadeira intenção de quem tá inventou esta ameaça fechadeira é que ela não foi baseada em nenhum caso de contaminação comprovada da nossa mercadoria, mas se apega só nessa conversa mole da falta de garantia. Outro incômodo muito grande é que o anúncio foi feito pouco mais de uma semana depois da entrada em vigor do grande acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul e só algumas horas depois do primeiro embarque de carne do Brasil lá pra eles sem a cobrança de imposto de exportação. Foram vinte e seis anos de negociação, com o Brasil abrindo seu mercado em outras áreas da economia, até mais do que podia e deveria, em troca da liberação pra nossa pecuária bovina, o que quer dizer que esta decisão tomada agora representa uma grande e covarde traição contra o Brasil e o mais profundo desrespeito em relação ao que tinha sido discutido, combinado, fechado e assinado.
Por outro lado, os companheiros e companheiras boiadeiros, mesmo os que não são tão erados nesta lida de ganhar a vida com gado, já tão cansados de saber que a União Europeia é useira e vezeira nesta arte rasteira de criar barreiras comerciais disfarçadas de sanitárias, né. O caso é que os fazendeiros europeus, que sobrevivem mamando o subsídio das generosas tetas do tesouro oficial, pra compensar a sua tradicional e histórica incompetência, nunca aceitaram e jamais vão aceitar a concorrência da carne brasileira lá no terreiro deles. Foi assim com a rastreabilidade, com a discussão a respeito do desmatamento, da doença da vaca louca que a gente nunca teve, e por aí afora, né. Até agora, todas estas tentativas criminosas e ilegais de barrar a entrada do nosso produto foram derrubadas, e mais este desatino protecionista haverá de ter o mesmo destino.