Valor pago ao produtor avançou 4,6% no último mês, segundo levantamento do CEPEA

O CEPEA, que é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq de Piracicaba, aqui no estado de São Paulo, divulgou no começo da semana o seu balanço a respeito da evolução do preço do leite ao produtor, e o resultado mostrou que o mercado continua em trajetória de alta. Segundo os dados divulgados pela instituição, na média nacional o valor pago ao pecuarista em agosto, pelo produto entregue no laticínio em julho, chegou a R$2,87 por litro, o que representou uma alta de 4,6% em relação ao pagamento anterior, e de 4,9% comparando com o período correspondente de 2025. A primeira parte da explicação pra mais esta valorização é o crescimento mais moderado na entrega da matéria-prima na usina em algumas das principais regiões produtoras do país.
De acordo com os técnicos responsáveis pela pesquisa, de junho para julho o índice de captação do CEPEA teve um crescimento de 2,3%, na média geral. Mas apesar deste novo aumento mensal, considerando os 7 primeiros meses do ano, que foram incluídos no estudo, o volume de leite recebido pela indústria ainda acumula uma substanciosa queda de 9,3%, pareando com o mesmo intervalo de tempo do ano passado. Outro fator que teve papel importante nesta nova valorização do leite ao produtor foi a melhora na demanda por alguns dos derivados mais consumidos aqui no mercado doméstico, como foi o caso do UHT, que é o nosso leite de caixinha, que por conta disso acabou apresentando um aumento de 7,3%, isso falando em preço no comércio atacadista, né.
Outro ponto de atenção para o fazendeiro é o custo operacional efetivo da pecuária leiteira, que apresentou uma queda muito sutil, de apenas 0,3%, ficando praticamente estável pelo 2º mês consecutivo. Mas o problema é que o milho e o farelo de soja registraram novos aumentos de preço, o que certamente vai pesar na despesa com a alimentação do rebanho. Já as importações brasileiras de produtos de laticínio cresceram 9% em julho, chegando a 236,3 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com mesmo mês do ano passado, as compras externas registraram um fortíssimo avanço de 33,5%. Aí, com a comida mais cara e as importações crescendo, a previsão do CEPEA é de que, daqui pra frente, o preço do leite ao produtor deve começar a perder força.