Oferta elevada de gado e consumo enfraquecido derrubam cotações da arroba

Todo companheiro boiadeiro, mesmo não sendo muito erado nesta lida de ganhar a vida com gado, tem bem sabedência de que maio é o mês das flores, das mães e das noivas, mas também do fim da safra do capim e, como consequência, da queda na cotação do boi gordo no nosso mercado caseiro. Pois então, repare a amiga pecuarista que, conforme a recordação feita pelo pessoal da Scot Consultoria, nos últimos 20 anos sempre foi assim, incluindo este presente que tá em andamento, sendo que, esticando um pouco mais a vista, isso só não aconteceu duas vezes, em 2004 e em 2006. A parte principal da explicação pra repetição sistemática desta situação, que também é do conhecimento geral, é a questão climática, com a chegada da estação seca e o empobrecimento nutricional das invernadas na maior parte das regiões de criação do país.
O resultado lógico e perfeitamente esperado é que, com o aumento na oferta de gado terminado, o comprador volta a correr o trecho com o facão derriçador de preço na mão, e ainda mais afiado, né. Foi assim que, seguindo este roteiro costumeiro, no começo do mês a nossa praça boiadeira embicou outra vez na descida da ribanceira, e desde então continua indo nesta direção. Além da fartura de mercadoria à disposição do dono do frigorífico, a partir da metade fechadeira de abril, quando o trabalhador já tava de algibeira quase vazia, o aumento no preço da carne no balcão do açougue também ajudou a empurrar o carretão no rumo de morro abaixo. E pra completar esta conjuminação derrubadeira, a inapetência do consumidor acabou favorecendo o porco e o frango, que são concorrentes do boi na disputa pela preferência da população.
A respeito desta questão da demanda, a situação deve melhorar neste prazinho mais curtinho, com o aumento do movimento registrado no dia das mães, aqui no nosso próprio terreiro, e por conta do bom momento das vendas pro estrangeiro. E um pouco mais pra diante, com o avançamento do calendário, o mercado pecuário deve ficar mais equilibrado com o fim do estoque do gado de capim, né. Aí, juntando isso com o encurtamento da produção, que é resultado da virada de ciclo da nossa atividade, o natural seria esperar uma reação mais encorpada na cotação da arroba. Mas o problema é que o próximo preenchimento da cota determinada pela China pras nossas exportações lá pro gigante do oriente distante pode virar uma grande complicação pra cadeia produtiva da carne brasileira, e o que é que vai acontecer daqui pra frente, só com o passar do tempo é que a gente vai saber.